A crise na HBO com Game of Thrones

Porque trava tudo na hora de assistir?

E a HBO não se explica?

por JotaB, Floripa, 10h05m

Quem já tentou assistir a série “Games of Thrones” nos últimos tempos, deve ter se estressado com as travas que vem ocorrendo. Seja assitir no canal HBO, aos Domingos, na exibição “ao vivo” dos episódios (fica travando), ou na farramenta de serviço de streaming HBO Go (quando surge a mensagem de que não é possível reproduzir o conteúdo)… bem isso deixa qualquer um impaciente, bravo e sem compostura.

Mas o que anda acontecendo?

E porque a HBO não se explica.

Não precisa ser muito “nerd” para entender o que acontece por trás dos panos. A HBO não consegue lidar com o volume insano de usuários que aparece de uma hora para outra e seus sistemas simplesmente entram em parafuso. O resultado é que ninguém consegue ver o episódio até a demanda diminuir e a carga sobre os servidores começar a afrouxar.

Vamos às explicações por partes.

Primeiro: como tudo funciona. No mundo da computação em nuvem, existe um termo chamado “elasticidade”. É uma forma elegante de falar sobre uma infraestrutura que se ajusta de acordo com a demanda, permitindo redução de custos. Empresas como Microsoft, com o Azure; Amazon, com o AWS; e Google, com o Google Cloud, batem nesta tecla, afirmando que suas plataformas são amplamente elásticas, indicando que podem suprir um surto de demanda em pouco tempo. Neste sentido, fica evidente que o serviço da HBO não é elástico o bastante.

Segundo: as motivações técnicas para solução. Mas isso pode ter múltiplos motivos, e não necessariamente eles têm a ver com a infraestrutura. É sabido que a HBO utiliza a AWS como base para seu serviço de streaming, o que significa que, ao menos em teoria, eles estariam bem servidos de infraestrutura, afinal de contas, a Amazon lidera com folga o mercado de computação em nuvem e seu serviço é amplamente elogiado. Se há alguém que deveria aguentar o tranco do pico de demanda, é a AWS.

(nota: Amazon Web Services, também conhecido como AWS, é uma plataforma de serviços de computação em nuvem, que formam uma plataforma de computação na nuvem oferecida pela Amazon.com. Os serviços são oferecidos em 55 diferentes zonas distribuídas em 18 regiões geográficas no mundo.)

O que nos leva à possibilidade de ser um problema na própria aplicação da HBO Go, que não foi desenvolvida com a escalabilidade necessária para aguentar uma pancada repentina nos servidores que acontece todas às noites de domingo. “Não adianta ter muitos servidores se o código da sua aplicação não está preparado para essa demanda. Você pode usar AWS, Google Cloud, Microsoft Azure, e isso não vai adiantar”, explica Bruno Abreu, fundador da Sofist, uma empresa especializada em prevenção de problemas em serviços digitais.

Existem alguns sinais de que o serviço não tenha sido muito bem projetado. Um exemplo é que os usuários sequer conseguem se autenticar para entrar no HBO Go nestes momentos de alta atividade. Segundo Abreu, isso indica que não houve a preocupação em desenvolver uma arquitetura distribuída, que permitisse que outros recursos se mantivessem no ar mesmo se a transmissão de vídeo estivesse prejudicada.

Por fim, querer chegar no nível da NETFLIX. É insanidade. Ao menos para quem nasceu agora. A comparação com a Netflix é óbvia e inevitável. A Netflix conta com 110 milhões de assinantes pelo mundo e também roda sobre a plataforma de nuvem da AWS, o que mostra que o problema não é exatamente falta de infraestrutura, mas a forma como ele é (mal) utilizada.

Fim do problema ou so serviço HBO Go? 

Usuários que se sentirem lesados pela HBO por não conseguirem usar o serviço de streaming aos domingos devido aos constantes travamentos podem pedir parte do dinheiro de sua assinatura de volta, informa o Procon-SP.

A fundação tem recebido queixas de vários assinantes do serviço, e informado que, segundo o Código de Defesa do Consumidor, é possível pedir o abatimento proporcional relativo aos dias em que o serviço não funcionou corretamente. Além disso, também é possível solicitar o cancelamento do contrato sem pagamento de multas.

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